Amor e matrimônio – A História dos Vestidos de Noiva – Idade Média/Parte 3


O casamento do casal Arnolfini

Durante a Idade Média, a cristianização do ocidente trouxe novos costumes matrimonias. A coroação de Carlos Magno, no ano 800 d.C tornou o casamento um sacramento religioso, com forte carga social e simbólica, carga esta, que em grande parte perdura até os nossos dias.

Neste momento, a união dos cônjuges passou a se dar através de uma cerimônia religiosa que sacramentava a união de duas famílias e de seus patrimônios. O casamento então, teve como função garantir as fronteira  dos novos reinos e reconstruir os territórios nacionais destruídos pela longa invasão bárbara à qual a Europa estivera submetida desde a queda do Império Romano, e também pelo abandono deste território devido as cruzadas .

O vestido de noiva surgiu neste período com a função específica de apresentar para a comunidade as posses da família da moça. Sua simbologia era a do  poder e sua  função era social.

A noiva era apresentada com um vestido vermelho, ricamente bordado e sobre a cabeça um véu branco  bordado com fios dourados. O vermelho representava a capacidade da noiva de gerar sangue novo e continuar a estirpe. O véu branco falava da sua castidade.

  

Ao noivo, bastava que desse à noiva um cavalo branco para que pudesse segui-lo. Para muitas famílias, o sucesso no casamento dos filhos era uma questão de sobrevivência que implicava numa boa partilha entre terras, animais e servos para trabalhar a terra.

À noiva, além dos dotes patrimoniais, cabia levar tecidos para vestir a família e a casa que ia constituir além de jóias, que poderiam ser vendidas ou trocadas para o custeio do cultivo da terra. Os noivos, em geral, tinham ambos por volta de quatorze anos e no dia das núpcias a noiva deveria se apresentar com todas as jóias sobre o seu corpo e cabelo.

Este acervo era composto de broches, tiaras, braceletes, vários colares e muitos anéis, podendo ser vários em cada dedo. O casamento cristão que teve início na Idade Média era uma cerimônia pública, e acontecia na igreja por ser este o espaço mais público desta cultura. A tradição da cerimônia religiosa de casamento, que vivemos hoje, tem ai sua origem.

Quanta à união dos cônjuges das famílias humildes deste período, se dava como festejo popular, no centro da comunidade, num domingo de santo. Geralmente Santo Antônio era o que abençoava e protegia estas uniões sem dote, porém, de grande importância para a fertilização dos campos e lavoura.

A celebração do casamento popular se dava em maio, em geral no início da colheita e representava a fertilidade da terra e a abundância na casa do homem do campo.

É importante mostrar o surgimento da instituição matrimonial entre os burgueses, homens da cidade que também uniam suas famílias para conservação de patrimônio  mas que representavam esta união através do símbolo da fertilidade que era a cor verde, como o verde do horto das oliveiras, onde Cristo passou sua última noite.

A noiva burguesa, habitante do burgo e filha do mercador, do  banqueiro e do comerciante era mostrada com ventre saliente, demonstrando a sua capacidade para procriar. Esta união está bem demonstrado na pintura de Jan Van Eyck, em 1434: O casamento do casal Arnolfini.

Neste período a noção de Amor não era agregada à de casamento e raramente os noivos já haviam se visto antes da cerimônia.


A noiva burguesa, habitante do burgo e filha do mercador, do  banqueiro e do comerciante era mostrada com ventre saliente, demonstrando a sua capacidade para procriar. Esta união está bem demonstrado na pintura de Jan Van Eyck, em 1434: O casamento do casal Arnolfini.

Por Queila Ferraz

Sobre Queila Ferraz

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.
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