História do Jeans – A Evolução no Mercado (Parte 2/4)

É bem fácil analisar o histórico do jeans no mercado década por década.

1880 – A Fábrica da pioneira Levi’s estava montada na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, onde nasceu o famoso 501.

1890 – O jeans, que antes era fabricado na cor marrom, começa a ser feito na cor azul.

1910 – Surgem os bolsos traseiros.

1920 – O jeans começa a ficar popular nos Estados Unidos. Os milionários da Costa Oeste imitavam os cowboys da Costa Leste por conta do estilo despojado e moderno feito com calças de índigo e camisas de flanela xadrez. Quando retornavam à cidade, causavam impacto e popularidade entre os amigos – que também queriam o “look vaqueiro”.

1940 – O zíper para abertura modernizou as calças jeans em 1947. No entanto, a Blue Bell, empresa que fabricava o jeans Wrangler, já o usava antes da descoberta da Levi’s.

1950 – Começa a massificação da moda jeans. Jaquetas, calças, macacões, saias e outras peças lançam moda por todo o mundo, principalmente por causa das telas do cinema e dos palcos de musica.

1960 – Aparecem os primeiros jeans com lavagem. A moda pegou rapidamente, já que era uma variante para a explosão do índigo no mundo. Novos materiais começam a se mesclar com o jeans como o elastano, por exemplo, que deu mais conforto para o uso. O movimento Hippie no Festival Woodstock também teve muita associação a essa descoberta, pois causava uma prazerosa sensação de conforto e protagonizou o maior festival de música da década.

1970 – Formas mais ousadas aparecem na modelagem das calças jeans. A sensualidade estava aflorada e provocava esse impulso de mudança nas charmosas calças. Largas, estreitas, curtas, amplas, com ou sem bolsos, azuis ou pretas, lavadas e destonadas, as calças estiveram nas paradas de sucesso nas ruas, em casa e no trabalho.

1980 – A tecnologia entra com mais força no mercado do jeans. Calças com um toque mais macio, por conta do stone washed (lavagem com pedras), eram usadas para dar mais efeito às peças. Os Yuppies vestiam com terno e gravata para dar mais força ao estilo próprio. Cada vez mais marcas de jeanswear surgiam no mundo.

No inicio o jeans tinha uma linguagem anti-social, já que as gangues de motociclistas aterrorizavam as cidades pequenas da Califórnia, no final da década de 40, e depois com a chegada dos “cowboys” do século 20, tendo assim uma mensagem de rebeldia a violência.

Em todas as décadas, o jeans cobriu todos os níveis do mercado, representando coisas diversas para consumidores diferentes.

No inicio da década de 50, a popularidade do jeans como uniforme do jovem foi tomando conta da América e com filmes como “The Wild One”, com Marlon Brando, “On The Water Front”, e “Rebel Without a Cause” com James Dean em 1955. Isso só ressaltava o processo nos Estados Unidos e os exportava a moda para a Europa. Hollywood, na década de 30, convenceu os europeus que a América era a casa do romance e da aventura. Foi aí que o jeans ganhou uma nova imagem, totalmente sexy.

No final dos 50, as marcas de jeans americanas eram as preferidas, mesmo já existindo a fabricação do jeans pelos europeus.

Marilyn Monroe, que encarnava o desejo das mulheres americanas, mostrou que a calça jeans não era apenas para trabalho, e sim para todas as horas. Elvis Presley usou uma calça de brim em uma cena de um filme e fez com que a imagem do jeans e o rock nunca mais se separassem.

Já na metade da década de 60, com a ascensão do movimento hippies em São Francisco, o jeans assumiu o papel de cobertura ideal para o corpo, barata e funcional, com o qual as pessoas poderiam expressar sua própria identidade.

Com a filosofia hippies para os jeans, de quanto mais velho melhor, inicia-se a nova história da peça.

Em Saint Tropez, centro de moda da época, o jeans começou a ser reciclado em bolsas, sapatos e capas.

As pessoas se tornaram criativas com o jeans. A indústria aumentos experimentos com qualidades diferentes, lavagens diversificadas, novas cores e varias modelagens. Outro desenvolvimento importante foi o jeans unissex, que vestia a todos com um bom caimento.

A superprodução do jeans gerou simplesmente 100 marcas no Reino Unido em 1962.

Isto gerou uma enorme preocupação para o mercado. A solução veio de Levis, que trouxe o jeans de volta para o modelo básico e transformou o 501 numa marca de massa.

Os filmes continuaram a influenciar as mudanças no jeans como, por exemplo, o filme Sem Destino e também o grande festival de rock Woodstock.

A Europa começou a influenciar o mercado do jeans no início da década de 70 na medida em que as pessoas como Peter Golding, Fiorucci, Marithé e François Girbaud começaram a produzir jeans em estilos bem diferentes dos modelos americanos.

Na década de 70 os jeans foram muito enfeitados e ornamentados, adornados com pinos e abarrotados com detalhes exuberantes.

A cultura jeans foi cada vez mais sendo associada à juventude. Com a tendência materialista da década de 70, os consumidores desejavam que as peças fossem adornadas com pinos e abarrotadas de detalhes exuberantes. Isso fez gerar os grandes desenhos dos jeans, que se voltaram mais para os desejos das mulheres. A grande predominância foi do “jeans stretch”, que adotava o ar sexy.

Na década de 80 os preços do jeans subiram. O sexo teve uma importante participação no mercado do jeans na medida em que os gostos de Calvin Klein preencheram revistas e campanhas na TV que chocaram o publico e venderam o jeans a preço de ouro.

Os grandes costureiros aderiram ao jeans, que passou a ser aceito por todos os níveis da sociedade. Com a busca incessante de variedades, os seguintes fits ganharam popularidade: Low-slung lipster jeans (bandagem baixa no quadril), godês e bocas de sinos.

A década de 80 viu os preços dos jeans subirem, uma vez que os estilistas famosos produziam linhas completas de brim em suas coleções. A peça básica passa então a ter outra conotação no mercado.

Novas qualidades, cores e preços serão constantemente criados para que o jeans nunca desapareça, despertando o mercado e o interesse do consumidor.

Breve conclusão da História do Jeans:

O jeans foi criado inicialmente para vestir os trabalhadores. A partir daí as pessoas começaram a descobrir a praticidade e confortabilidade das peças e forçaram as alterações na modelagem.

Começou a ser usado como arma social em uma demonstração de rebeldia dos jovens.  O cinema teve um importante papel na popularização do jeans e as pessoas resolvem usar como forma de identidade.

O fenômeno Marlyn Monroe foi usado para seduzir as mulheres e os jovens ligaram a imagem do jeans ao rock através de Elvis Presley. Os hippies popularizam a peça e a tornaram básica, Começa, então, a grande história do jeans.

Os grandes criadores aderiram ao denim e criam moda. A indústria investe pesado, os preços no mercado sobem e o produto vira artigo de luxo. As lavagens são diversas e usam técnicas cada vez mais sofisticadas e inovadoras, como a etiqueta de porcelana de Jean Paul Gaultier, por exemplo.

A maior de todas as criações realizadas com o jeans foi a peça unissex, que convenceu um público em massa a aderir a peça.

No entanto, o mito Marilyn Monroe nunca morreu e a grande preocupação é a mesma: seduzir as mulheres com novas criações e lembrar que a peça tem utilidade para o dia-a-dia e é extremamente sexy.

Leia também:
História do Jeans – A trajetória inicial (Parte 1/4)

A História do Jeans – Evolução de Fits e Lavagens (Parte 3/4)

A História do Jeans – A essência do denim (Parte 4/4)

Sobre Queila Ferraz

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.
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