Revolução Industrial, Evolução da Indústria do Vestuário e Tecnologia Têxtil: Onde a Função Encontrou a Moda – Parte 1/3

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Leia também: Tecnologia da Confecção – Etapas e Conceito – Parte 2 e Tecnologia da Confecção: da protótipo à confecção (etapas e conceito) – Parte 3

Este texto tem como objetivo comentar a evolução histórica da indústria de vestuário, que já nasceu como elemento significativo da constituição da Revolução Industrial na Inglaterra. Aqui estamos discutindo esta evolução a partir dos textos de Elisabeth Wilson, em sua obra Enfeitada de Sonhos e de José Carlos Durand em Moda Luxo e Economia.

O primeiro olhar sobre o texto de Wilson aponta para o aspecto mais discutido pelo pensamento culto do séc. XIX, a condição do trabalho dentro da industria. A industria têxtil deu o arranque da Revolução e, não houve literatura e pensamento teórico que escondesse a forte exploração trabalhista das mulheres neste setor. Incomodava àqueles contemporâneos que, enquanto as mulheres da sociedade burguesa se vestiam com roupas luxuosas, as operárias das indústrias têxteis eram exploradas, recebendo baixos salários, trabalhando em condições de grande insalubridade e excesso de carga horária.

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Em poucos anos, a indústria inglesa do algodão dominava o mundo, tendo destruído as indústrias de algodão indígena do subcontinente indiano e devorado a matéria-prima na qual se baseava, o que implicou condições de vida e de trabalho duras pra mulheres e crianças daquela colônia.

A partir do século XVIII o tecido de algodão passou a ser usado não somente para forros ou artigos domésticos, mas também para as roupas da alta sociedade. A partir daí as técnicas de estamparia do algodão foram mecanizadas, aumentando a venda e a procura do produto.

A industrialização da lã também começou a se estabelecer definitivamente na Inglaterra, deixando de ser uma tecelagem de domínio familiar e artesanal, passando a ser usada inclusive pela alta sociedade, pois anteriormente era um tecido usado somente pelas classes mais baixas.


Quanto à tecelagem da seda, que foi sempre considerada mais luxuosa do que a lã e o algodão foram entre os séculos XVII e XVIII que a Inglaterra passou a ser importante produtor de tecidos dessa fibra. Esta industria incluía na sua mão de obra homens e mulheres dos mais diferentes níveis sociais, tais como os ricos mestres tecelões e as mulheres e crianças trabalhadoras mais exploradas. A seda sempre foi um tecido raro, difícil de ser produzido por exigir uma mão-de-obra muito qualificada.

Na cadeia produtiva têxtil as fibras mais conhecidas encontram-se na natureza: a seda, a lã, os pelos e as crinas de origem animal e os caules que permitem a extração de fibras de origem vegetal. As fibras químicas abrangem as fibras sintéticas, derivadas de produtos petroquímicos, e as artificiais derivadas da celulose.

Enquanto as fibras naturais necessitavam de um trabalho intensivo ou de grandes espaços, e por vezes de ambos, a produção dos tecidos sintéticos não necessitava nem de um tipo especial de clima, nem de uma força de trabalho abundante.

Os artigos fabricados ao longo da cadeia produtiva têxtil podem ser agrupados em quatro grandes segmentos:

1- Fios Têxteis: o fio têxtil é o produto final da etapa de fiação. Sua característica mais importante é o diâmetro ou grossura.

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2 – Tecidos e panos: o tecido ou o pano é o produto final da tecelagem.

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3- Os não-tecidos, de aplicação crescente, são desenvolvidos por procedimentos de produção completamente diferentes. São obtidos pelo agrupamento de camadas de fibras unidas por processos mecânicos, químicos ou combinação destes, têm uso preponderante em forrações decorativas, tais como carpetes, feltros e em produtos do tipo descartável, como fraldas, roupa de cama para hospitais, indumentária cirúrgica.

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4- Malhas ou Tricô: a tecelagem das malhas dispensa a necessidade dos fios de trama, sendo o pano produzido a partir de um ou mais fios que se entrelaçam sobre si mesmos. São feitos à mão ou a máquinas com agulhas.

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5- Confecções: constitui o produto final da cadeia produtiva têxtil vestuário. As confecções abrangem roupas de malha, vestuário e acessórios de tecidos, roupas de cama, mesa, banho, copa, sacos e sacolas para embalagem, cobertores e outras manufaturas, tais como tapetes e rendas, dentre outros.

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Cabe ressaltar que, tanto o setor têxtil quanto o de confecções não são geradores da sua própria tecnologia, o que significa que os seus respectivos avanços tecnológicos são incorporados pela utilização de bens de capital.

A manufatura das roupas, nas sociedades industriais do século XIX, desenvolveu-se de duas maneiras diferentes. Havia uma procura de costureiras por encomenda, de costuras delicadas e sob medida, que só podiam ser feitas à mão, e ao mesmo tempo, começava a produção em massa do vestuário industrializado padronizado, tanto nos modelos como nas medidas.

O aparecimento das fábricas de roupas reforçou a divisão entre as empresas que usavam maquinário e recrutavam mão de obra semiqualificada, e os velhos artesãos. No comércio tradicional dos alfaiates, cada peça de roupa era feita separadamente por um só trabalhador; isto era conhecido como método da peça única.

Os alfaiates haviam estado entre os primeiros artesãos independentes e tinham estabelecido as suas corporações nas cidades medievais. Eram organizações de patrões, que trabalhavam normalmente com as suas famílias, um ou dois trabalhadores experientes, contratados por dia, e alguns aprendizes.

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No século XVII, surgiu a loja de alfaiate. Os alfaiates eram comerciantes estabelecidos que tinham capital suficiente para alugarem uma loja numa zona chique das cidades, para terem estoque de tecidos caros e oferecer crédito ilimitado às pessoas da sociedade que formavam sua clientela. O comércio era sazonal e os trabalhadores das alfaiatarias eram contratados e despedidos conforme as necessidades.

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, dois grupos de trabalhadores vieram juntar-se às fileiras dos trabalhadores temporários e semiqualificados. No final do século XIX usaram trabalho dos emigrantes, especialmente Judeus. No início do século XIX as mulheres passaram de simples operária a aprendizes de alfaiates em número cada vez maior.

Os trabalhadores Judeus, em muitos casos, já eram reconhecidos como alfaiates qualificados.
Foi durante o período entre 1898 e 1910, que a indústria do vestuário feito em massa arrancou de fato, tanto na Inglaterra como na América. A expansão das fabricas de confecção, no entanto não causou a falência das lojas de alfaiates ou o desaparecimento das costureiras a dias. Pelo contrário, este sistema aumentou o trabalho a domicílio.

Na virada do século XIX para o XX, os grupos feministas lutavam para acabar com a exploração salarial do trabalho da mulher e da criança, e obtiveram sucesso. A Primeira Guerra mundial fortaleceu o movimento dos Trade Boards e melhorou as condições de trabalho.

Em 1909 houve uma greve histórica na indústria das roupas onde 20 mil trabalhadores deixaram seus trabalhos. Apesar da maioria dos grevistas ser constituída por homens, foi a maior greve feminina da América. E esta greve levou a um acordo histórico que foi assinado pelos patrões, e a partir daí, as roupas femininas começaram a ser criadas também visando às necessidades de uso para o trabalho da mulher, isto, é, começaram a se fazer roupas funcionais.

Nos EUA havia um grande campo para roupas feitas em massa. As grandes distâncias geraram a possibilidade de se reproduzir e vender roupas em grande quantidade, tanto de modelos quanto de tamanhos e, para os diferentes centros.
Entre os anos 20 e 30, houve mudanças importantes na indústria das roupas, a industria de roupa conseguiu traduzir as medidas masculinas de pessoais para um padrão de roupa feita em fábrica. A moda da classe média também se desenvolveu em estilos próprios diferentes e com boa qualidade.

Nos anos 40 a produção de roupa barata e atraente estava cada vez mais ligada ao desenvolvimento de métodos de fabricação modernos que envolviam rapidez, estilo, qualidade e preço.

Durante a década de 50, com o fim do período de guerras mundiais, houve uma melhoria nas condições de vida e com isso, o crescimento de uma sociedade consumidora. Outro fator que contribuiu enormemente para o desenvolvimento da industrialização de roupas foi o surgimento do mercado voltado aos jovens estudantes.

Na metade da década de 60, quase metade das roupas industrializadas era destinada à faixa etária de 15 a 19 anos de idade. Esta mudança nos hábitos de consumo da juventude foi um fenômeno de moda e ocorreu inicialmente na Inglaterra, o que fez com que o desenho de moda inglês para o mercado de massas começasse a liderar o resto do mundo.

O crescimento do mercado de moda se deu tanto para atender exigências das faixas etárias como pela globalização, que estabeleceu um padrão de elegância a nível global. Tal crescimento exigiu grandes reformulações nas estruturas de trabalho e um grande aprimoramento no maquinário. A modernização de todos os processos industriais continuou, introduzindo o planejamento computadorizado das provisões, o desenvolveu do corte a laser e o desenvolvimento, pelos japoneses, de máquinas que bordam até em tecidos muito delicados, e hoje, até a alfaiataria de fábrica por encomenda utiliza agora pontos feitos à máquina que imitam os aspecto do ponto feito à mão.

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Por Queila Ferraz

(Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de moda da Faculdade Belas Artes, Senac Moda e Universidade Anhembi Morumbi.)

queilamoda@yahoo.com.br

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30 respostas a Revolução Industrial, Evolução da Indústria do Vestuário e Tecnologia Têxtil: Onde a Função Encontrou a Moda – Parte 1/3

  1. Viscobrasil disse:

    27/08/201516:21:43 Os melhores preços de malhas e tecidos acesse http://www.viscobrasil.com.br

    Atenciosamente;

    Paulo

  2. VAINE KESSY disse:

    Muito bom este trabalho, parabens…
    Estou fazendo um trabalho sobre Tecnologia de vestuario, inovações tecnologicas em maquinarios.
    Se tiver algo com este tema e puder me ajudar.
    Obrigada.

  3. debora disse:

    gostaria de algum material que falasse, sobre o algodado, sobre 150 fios 200 fios ,qual o fio melhor para roupade cama, pois trab numa loja e temos dificuldades

  4. Lorival disse:

    Ola! Angelica eu tambem estou fazendo meu TCC sobre roupas de cama. As literaturas sobre este assunto sao muito poucas.

    Se vc conseguir algo e quiser compartilar comigo… lorisabino
    2hotmail.com

    Abraco

  5. Dora disse:

    tenho uma industria de uniformes, gostaria de contratar um desing para os nossos produtos. os interessados favor entrar em contato.

  6. walisson disse:

    Olá gostei muito sobre a materia

    parabens

    abracos

  7. Natalia Fiuza disse:

    Muito boa sua pesquisa em relação a história da moda. Parabéns !
    Gostaria de saber se você possui informações sobre o mercado de cama mesa e banho, ou onde procurar tais informações.

    Obrigada por tudo.

  8. rafaela disse:

    fala muita coisa aprendi bastante

  9. debora disse:

    eu nao estou encontrando (as desvantagens da revoluçao industrial) alquem pode me ajuda?

    • Valdirene Pereira Melo disse:

      Olá Debora, infelizmente as desvantagens assim como as vantagens são muitas, mas abordarei algumas desvantagens que saõ a sua dúvida mencionada a cima.
      Com a industrialização os camponeses passam a vender sua força de trabalho aos grandes empresários por salários baixos e carga horária que ultrapassava 16 horas diárias.
      As moradias foram sendo transferidas para as vilas e cidades industrias o que diminuia muito o seu espaço físico para os trabalhadores.
      Com a introdução das mulheres nesse meio de produção as crianças também de certa forma são obrigadas a compor esse contexto em um ambiente perigoso, provocando muitas mortes e mutilações de membros.
      A produção de alimentos perde a qualidade visto que todos necessitam trablhar nas fábrigas para garatir o sustento familiar, diminuindo a mão de obra nos campos.
      A alimentação dos trabalhadores passa a ser rápida e de péssima qualidade de preparo devido ao pouco tempo disponível para o preparo.
      Listei aqui apenas alguns fatores negativos, que são muitos. Mas a industrialização foi muito benéfica para o barateamento de muitos produtos antes feito sobre medida quase de forma exclusiva.
      Espero ter ajudado !!!!

  10. * Diinh.@? disse:

    Gente esse trabalho ta muito bom mais nao respondeu minha pergunta….

  11. Luciana disse:

    Olá…
    Sou acadêmica de moda e estou iniciando meu TCC sobre o vestuário cama, mesa e banho especificamente. Já pesquisei muito mas não consigo encontrar quem contribuiu, onde, como e por quê para o surgimento deste segmento de vestuário.
    Tudo que encontro diz respeito a roupas em si, e não sobre este outro tipo de vestuário.
    Sou de SC e as indústrias deste segmento aqui são inúmeras.
    Teka, Karsten, Lepper, Buettner…
    Estou tentando entrar em contato também com elas para obter informações, mas ficaria muito agradecida se vocês pudessem me responder com essas informações importantes para o início dessa minha camihada.
    Meu e-mail é: lumoda@unerj.br ou lubuttner@hotmail.com
    Obrigada desde já.

  12. Júlia disse:

    adorei esta materia parabens!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  13. DP disse:

    pode-me dizer as vantagens/ desvantagens sobre as costureiras e a industria têxtil. Tambem gostava de informação sobre as causas do desaparecimento das costureiras. Aguardo resposta.

  14. Amalia disse:

    Oi!!!
    Gostaria de saber a história de roupas de cama, pois, também estou fazendo um TCC sobre isso.onde? quando? e quem inventou a roupa de cama?!aguardo respostas!!
    abraço
    obrigado antecipado

  15. Débora disse:

    Achei muito legal, parabéns!
    Mas, eu gostaria de saber mais sobre as condições de trabalho na indústria têxtil!

    Obrigada e Parabéns!

  16. Fer disse:

    Oiii achei muito legal, mas eu precisava saber mais como eram feitas as roupas de antigamente, e pq as pessoas pararam de mandar fazer roupas em costureiras e passaram a compra-las prontas. É que to fazendo meu pré projeto e preciso muito disso, se vc pudesse me ajudar agradeceria.

  17. maria aparecida bocayuva carvalho disse:

    Parabens,ótima matéria!!

    Cida Bocayuva

  18. Geraldo Carneiro Araujo disse:

    Achei o trabalho muito legal, pois estou iniciando meu TCC e o assunto que abodarei é a industria textil no tocante à Desenvolvimentos de novos Produtos. Vou focar na agilidade de desenvolver um novo produto levando em consideração que o mercado não espera e as tendencias passam, e se a empresa não desenvolver algo novo em tempo, ela fica para trás.

    Valeu…….

  19. adriana disse:

    gostei muito do conteudo pois estou pesquisando sobre a area têxtil para um trabalho no curso.Gostaria de saber também evolução da produçao têxtil e dias atuas na produção têxtil.
    Desde já agradeco.

  20. jamily disse:

    muitooo 10 parabens nem eu consigo fazer isso!!!!!!!

  21. angélica disse:

    olá!!
    como foi feito em um comentário acima, gostaria de saber a história de roupas de cama, pois, também estou fazendo um TCC sobre isso.onde? quando? e quem inventou a roupa de cama?!aguardo respostas!!
    ótimo trabalho!!
    e obrigado antecipado!

  22. Sergio Costa disse:

    É um trabalho bom mas, como é comum em nosso país o estudo do fato e não o que causou o fato em si, voce esqceu um detalhe, a causa do aumento do fabrico de roupas pra jovens.
    Precisamos aprender uma coisa em História a relação entre fato e necessidade, os Beatles contribuirão bastante com tudo isso.

  23. Fabiane disse:

    Gostei muito deste, trabalho…sou estudante de administração, e estou fazendo um trabalho, vcs poderiam me dizer, uma matéria sobre a 1ª fábrica de tecidos nos EUA as margens do Rio Paltect?
    Obrigado!

  24. Arthur disse:

    opa quer dizer na pesquisa de hisria!

  25. Arthur disse:

    É ficou bem legal vai mim ajudar na pesquisa de hisria!

  26. Dayane disse:

    olá
    vcs estão de parabens
    adorei o trabalho…
    gostaria de receber mais informações sobre o surgimento e evolução da industria têxtil e do vestuario em nivel mundial…
    sou estudante d moda e ficaria mto grata em receber o material

  27. Parabens, achei ótimo o seu trabalho. Faço Design de Moda no campus da Univali em Baneário de camboriú e procuro informações de quando começou o uso de roupa de cama , pois meu tcc é sobre isso . Um abraço Lu

  28. Silvia Gehre disse:

    Nossa, esse trabalho é incrível mesmo. Tô fazendo minha monografia sobre a história da modelagem, pois sou apaixonada por história da moda.
    Professora Queila Ferraz, quero ser sua aluna…hehehe, mas não dá, moro em Brasília e estudo moda por aqui mesmo. Ameeeei seus textos, parabéns.
    Silvia

  29. Maria disse:

    Este trabalho é um espetáculo!

    Quem o fez merece os parabéns de uma miúda de 14 anos!

    Adorei!
    Parabéns!

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